
EMPREENDEDORISMO E CONTABILIDADE
Júlio César Zanluca
Não basta ter boas idéias, força de vontade
e determinação. Além de tempo e dinheiro, o empreendedor
precisa de preparo, suporte e planejamento. Para que o negócio se
fortaleça e se torne saudável, o trabalho do contabilista é fundamental.
A contabilidade é fonte de informação indispensável para que o empreendimento
cresça seguro. Afinal, os registros contábeis irão fornecer informações
sobre custos, giro de capital e dos encargos e
tributos.
O reconhecimento do mercado implica também em preparo dos
contabilistas no atendimento de seus clientes.
O contato pessoal e a confiança, acrescidos de uma visão estratégica do
negócio, são apontados pelos empresários como requisitos para a relação
de parceria.
O serviço contábil é o mais procurado entre os empreendedores, conforme
pesquisa do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas
(Sebrae), além de ser considerado o segundo mais importante, atrás
apenas dos conhecedores do mercado.
Porém, quase metade das empresas fecham suas portas em até dois anos, segundo
dados do Sebrae. A principal razão é a falta de
capital de giro, seguida da falta de clientes e de problemas
financeiros.
O profissional da contabilidade pode exercer um papel de extrema
importância quanto à organização da empresa, à estruturação contábil e
ao planejamento fiscal financeiro,
além de ser capaz de medir o retorno do capital investido.
O contabilista participam do desenvolvimento da empresa
desde sua constituição, acompanham o registro na Junta Comercial ou no
cartório civil e providenciam a regularização em vários órgãos, como
Receita Federal, INSS, e Prefeitura.
A falta de informações específicas pode fazer diferença quando o negócio
já estiver no mercado. Determinados profissionais liberais que atuam como
prestadores de serviços não podem optar pelo Simples, por exemplo.
E as cooperativas têm legislação específica, exigindo adequação contábil
e fiscal própria.
A primeira preocupação é checar a viabilidade da
empresa no mercado, já que muitas iniciativas empreendedoras se devem ao desemprego.
Apesar da maioria dos empreendedores terem consciência do peso dos
tributos no orçamento, os custos com aluguel e funcionários podem passar
desapercebidos e não serem embutidos no preço final.
Recomenda-se que todo empreendedor procure orientação profissional antes de
formar a empresa, para conhecer os encargos e obrigações legais,
contábeis e fiscais a que estará sujeito suas atividades.
A contabilidade deve ser vista como ferramenta
de gestão, para que possa projetar os resultados da empresa a partir de
metas. Muitos empresários desprezam dados e avaliações, e perdem uma
excelente oportunidade de contar .com a experiência, formação e competência
do contabilista.
CARGA FISCAL E OBRIGAÇÕES TRABALHISTAS
Reclamações quanto à carga tributária e o exigências de declarações
pela Receita são comuns a empresários e contabilistas. Sem organizar uma agenda de pagamentos de
tributos, o
empresário não planeja seu giro de capital como deveria.
Cabe ao
profissional contábil esclarecer e estruturar com o cliente o plano de
contas a pagar, pois o governo é um "sócio sugador" do empresário, consumindo mais
de 30% do que a empresa fatura.
Um profissional atualizado para
assessorar o empreendedor nas obrigações com o "Leão" já o permite
delegar mais tempo para a administração do negócio.
O mesmo cuidado deve-se
ter na esfera trabalhista, com o registro na carteira de trabalho de
todos os funcionários, além do recolhimento de FGTS e INSS.
Em geral, o empreendedor
desconhece a enormidade de obrigações acessórias da empresa – em relação
a prazos de apresentação de documentos e de recolhimentos de tributos –
e a complexidade e a carga tributária, que pesa para quem consome seu
produto.
PRÓ-LABORE E LUCROS
Outro detalhe, que passa despercebido aos empreendedores, é a questão de
retirada de lucros e de pró-labore dos sócios. Afinal, há empresas que não quebram por
falta de vendas ou de clientes, e sim por brigas entre sócios.
Recomenda-se clareza sobre a carga horária de cada sócio
no empreendimento e sua remuneração. O contabilista pode detalhar estas questões e
proporcionar recomendações importantes para evitar conflitos
societários.
DIAGNÓSTICO FINANCEIRO
A falta de capital de giro pode
acabar fazendo com que a empresa fique sem dinheiro para manter os estoques e remunerar funcionários. O
contabilista pode facilitar o planejamento, fazendo uma previsão dos
custos, encargos financeiros e tributários. Outra recomendação é montar indicadores
regulares para realizar o diagnóstico da empresa.
Os custos precisam
ser muito bem dimensionados para se chegar ao preço final do produto.
Também deve ser levada em conta a carga tributária, ou seja, os impostos
embutidos no preço do produto, assim como os incidentes e a margem de
contribuição esperada.
O levantamento regular de balancetes pode propiciar ao empreendedor uma
visão mais clara de seu negócio, apesar de que muitos
empreendedores não terem grandes conhecimentos de finanças e planejamento.
A contabilidade dá o norte ao empreendedor, indicando, por exemplo,
quais custos estão elevados e o histórico do desempenho das contas.
Enfim, contabilidade não é luxo, é necessidade!