CONTABILISTAS TRABALHAM PARA O GOVERNO 

Júlio César Zanluca 

As empresas brasileiras gastam em média 2,6 mil horas por ano para atender às exigências do fisco, enquanto a média mundial é de cerca de cerca de 322 horas. A informação é do Banco Mundial, que realizou um estudo em 175 países em conjunto com a consultoria PricewaterhouseCoopers, de acordo com o site Invertia

A maior parte deste trabalho é feito por contabilistas. Mas há pouco reconhecimento deste serviço pelos governos federal, estaduais e municipais – ao contrário, cada ano surgem novas obrigações acessórias, atolando os escritórios contábeis com exigências de declarações cada vez mais complexas.

Os governos não têm qualquer pudor em exigir mais e mais dos contribuintes, criando inúmeros procedimentos, e dificultando o cumprimento de obrigações – segundo estimativas, são cerca de 26 declarações que os órgãos fazendários exigem! Entre elas, DIPJ, DNF, Declaração de Isento, DIRPF, DACON, DCTF, etc. etc. 

Os contabilistas são vítimas desta horrorosa panacéia que é a legislação tributária brasileira, duplamente penalizados: além de sofrerem com a carga tributária de quase 40% sobre seus ganhos, ainda têm que “engolir sapos” e aplicar a complexa legislação fiscal do país. Correm contra o tempo, buscando conciliar as exigências de informações fiscais com os prazos exíguos de adaptação, além de sofrerem com versões de programas incompletos e que são alterados continuamente. A cada novo ano há uma versão "n.zero alguma coisa", com mudanças substanciais em relação à versão anterior.

Se a classe dos contabilistas não pressionar fortemente o Congresso Nacional, a história se repetirá: Receita Federal e outros órgãos fiscalizadores “despejando” mais e mais obrigações para contribuintes. Engana-se quem julgue que este é um “filão” para os escritórios contábeis – afinal, poucos escritórios (para não dizer nenhum) conseguem repassar os custos destes novos serviços aos honorários pagos pelos clientes! 

E quando ocorre um erro, ainda que involuntário, em uma destas declarações? O contabilista pode ser responsabilizado – ou seja, além de ser mal remunerado, corre o risco de responder por danos! 

Está mais que na hora da nossa classe estar presente e exigir das autoridades fiscais um mínimo de coerência e compromisso com a simplificação tributária!

Júlio César Zanluca é Contabilista e coordenador do site www.PORTALDECONTABILIDADE.com.br